quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PÁSCOA- A MAIOR FESTA CRISTÃ

Páscoa: a maior festa cristã

por Carlos Roberto Streppel

Na páscoa cristã, celebra-se a condenação, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Comemora-se a vitória da vida sobre a morte e a destruição.

A origem da festa

A origem da páscoa cristã encontra-se na celebração da páscoa judaica, quando os judeus celebram a libertação do jugo egípcio sob o faraó. É, portanto, uma festa de celebração do inconformismo e da revolta contra a opressão. Em outras palavras trata-se de uma festa de contestação do status quo, da busca pela liberdade e qualidade de vida. Os escravos questionando sua opressão.

A festa cristã tem também este sentido: a ressurreição é o protesto contra a morte, contra a falta de sentido em tudo o que há. A ressurreição reintegra a criação com o criador. Quer dizer: ao celebrar a Páscoa, você celebra uma antiga tradição que vem desde os primeiros agricultores, que celebravam seu trabalho, e celebra o inconformismo diante das injustiças e das atitudes que negam a vida.

Como se calcula a Páscoa

A celebração da Páscoa foi fixada pelo Concílio de Nicéia, que determinou em 325, que a data desta festa deveria ser diferente da páscoa judaica.

Assim então, a Páscoa cristã passou a ser celebrada após o equinócio de 21 de março. Equinócio é o ponto do céu onde o sol encontra-se no ponto de corte do equador celeste. Neste ponto, na terra, o dia e a noite tem duração igual.

No hemisfério norte, os antigos agricultores celebravam a festa do encerramento do inverno, e o início da primavera, com o conseqüente início da preparação para o plantio e colheita, visto que, a partir desta data, os dias se tornam cada vez mais longos, testemunhando-se também a nova vida em Cristo, que, a partir da ressurreição, atinge sua plenitude.

Com estes dados pode-se então, calcular a data da Páscoa, que é sempre marcada para o primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do dia 21 de março.

Ao festejarmos a Páscoa, então, nos alinhamos com antigos agricultores que festejavam o fim do inverno e o início da revitalização primaveril. Celebramos a vida e a comunhão com a criação toda. A festa pascoal é, então, em sua origem uma festa vinculada a agricultura.

O Peixe e a Páscoa

Tem-se por costume que, na sexta-feira santa, quando se celebra a crucifixão de Jesus e sua morte e enterro, os celebrantes comem peixe. Qual o sentido deste gesto?

A explicação verdadeira remete ao testemunho de fé e resistência dos cristãos. Em grego a palavra Peixe é IXqUS ( lê-se: ixtys) e os primeiros cristão fizeram deste substantivo um anagrama:

I= Iesus ( Jesus)

X= Xristos ( Cristo).

q= qeos ( Deus)

U= Yuos ( filho)

S= suios ( salvador).

Os primeiros cristãos então, acordaram entre si que o peixe serviria como testemunho de fé: Jesus Cristo, Filho de Deus, é (meu) salvador.

Isto servia muito bem para poder fugir ao poder opressor dos soldados romanos, que perseguiam os cristãos: quando alguém encontrava-se com um desconhecido, como saber se esta pessoa é cristã ou não, sem correr riscos de prisão, e servir de alimento aos leões: desenhando numa superfície ou gesticulando o símbolo do peixe, como vemos acima. Se a outra pessoa fosse cristã, entenderia a mensagem. Caso não fosse, não entenderia o sentido do gesto, e todos continuariam vivos.

A mensagem que este símbolo nos passa, e que hoje muitos usam para enfeitar a traseira de seus belos automóveis é a resistência de fé e por fé em face de perseguições e morte.

O coelho e os ovos

Também na páscoa é hábito ofertar-se ovos coloridos. Lembro que, na minha infância, minha mãe confeccionou um coelho oco de papelão, coberto de algodão, onde ela punha os ovos. Eu permanecia pasmo diante daquele objeto, que ainda hoje, mais de quarenta anos após, permanece impregnado em meus neurônios, como uma feliz lembrança do amor de minha mãe.

Tanto um como o outro, ovo e coelho, remetem à fertilidade da natureza: o ovo é vida em repouso, como o coelho é extremamente fértil.

Torna-se claro, mais uma vez, a influência agrícola da festa. Com a vinda da primavera, volta a abundância da criação.

Mensagem da festa

Muito embora distantes daquela época, com a páscoa mais como uma festa comercial e agitada, podemos resgatar a mensagem central da festa:

A vida ameaçada luta contra a morte, e, apesar das aparências, vence e ressurge colorida e abundante. Agora eterna, por obra do próprio criador, que tomou as rédeas de sua criação, impedindo que a morte e a destruição dominem o mundo.

Pode dizer-se então, que a festa é uma festa de contestação e testemunho de fé e amor por este mundo. Em Jesus Cristo, Deus se fez homem e venceu as forças cósmicas que ameaçam a integridade da vida.

Comemorar a Páscoa significa dar o testemunho de que Jesus venceu a morte e, por isto, exerce o senhorio sobre este mundo. Esta é uma mensagem de esperança, inconformismo e fé.

Não é possível permanecer indiferente diante de tão forte mensagem com tantas e tão variadas tradições concentradas num só dia e numa só festa. Esta mensagem nos impele a tomar, nós também, uma atitude diante das ameaças que a vida sofre e padece.

Páscoa é revolução!

É destruição de tudo aquilo que causa morte e desertifica a vida, também em nós.

Em nossas atitudes, em nosso dia-a-dia, nossos pequenos gestos de amor e de consciência, e de cuidado por nós e nosso corpo, tornam a páscoa uma mensagem viva em nós e a partir de nós.

A todos, uma Feliz Páscoa!!

Roberto Streppel é Teólogo, Filósofo, psicopedagogo, especialista em Eneagrama, terapeuta Neuro-linguistica - atende com hora marcada - 2480-9652 - E-mail:beneagra@yahoo.com.br

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